22–23 de octubre de 2026
Campus universitario Luisi Janicki.
America/Montevideo zona horaria

ESTRATÉGIAS PARA A SUPERAÇÃO DE ESTIGMAS E A REINSERÇÃO SOCIAL NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: EXPERIÊNCIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DA BAHIA

No programado
20m
Campus universitario Luisi Janicki.

Campus universitario Luisi Janicki.

Ponentes

Sra. Anna Clara Almeida (Universidade Federal do Oeste da Bahia) Kaylanny Porto (Universidade Federal do Oeste da Bahia - UFOB)

Descripción

INTRODUÇÃO:
O direito à educação é previsto na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88) em seu art. 205, sendo classificado como direito fundamental. Nesse sentido, foi criado, pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), o Programa Articulação entre a Universidade e o Sistema Prisional, que atua entre órgãos como Secretarias, Ministério Público e Conjuntos Penais com o fim de garantir acesso e permanência das pessoas em situação de restrição/privação de liberdade e egressos do sistema prisional na comunidade acadêmica. Por meio desse plano, foi viabilizada a Política de Ações Afirmativas que reservou vagas supranumerárias em seus cursos para esse grupo.
Este resumo é produto de um projeto realizado na UFOB, que buscou a preparação da comunidade acadêmica para acolher novos estudantes em situação de cárcere ou egressos do sistema prisional. A instituição, por meio da resolução CEAA/CONSUNI/UFOB nº 019, de 6 de dezembro de 2022, reservou vagas supranumerárias destinada a essa minoria, sendo a política implementada nos anos subsequentes. Dentre os desafios para sua efetivação, encontra-se a inserção social do público alvo no ambiente acadêmico, visto que os estigmas carregados por esses indivíduos constituem barreiras para o entrosamento com os demais estudantes.
Durante o primeiro ano de implementação da medida, observou-se movimentação da comunidade universitária que demonstrou grande insatisfação com a política. Houve calorosas discussões, repletas de preconceitos e estigmatização, por parte de discentes e docentes. Os comentários eram feitos em redes sociais, em reuniões e em sala de aula. Diante disso, surgiu a preocupação em torno da integração desses indivíduos na instituição. O fator socialização seria um impeditivo à permanência destes na Universidade?
A estigmatização e exclusão social pode ser uma das experiências mais desafiadoras da vida pós-cárcere. “Sair da cadeia não significa sair da prisão” (Filho, 2022, p. 12). Por vezes o indivíduo sai do ambiente prisional, mas as grades as quais pertenceu algum dia os acompanha para o resto da vida. Por isso é essencial desenhar um novo olhar sobre essas pessoas, um olhar que não as resuma a vida no cárcere.

OBJETIVOS:
A partir dessa observação, foi proposto um projeto que analisasse as barreiras que as pessoas relacionadas ao sistema prisional enfrentam para sua efetivação no Ensino Superior e que também promovesse sua adesão neste ambiente pela perspectiva do acolhimento universitário. O projeto, intitulado “Além das grades: as ações afirmativas para egressos e pessoas privadas de liberdade no sistema prisional na Universidade Federal do Oeste da Bahia”, foi contemplado com bolsa pelo Programa de Apoio à Extensão Universitária da UFOB e realizado em apoio com o Programa de Extensão Leituras no Cárcere.
Com o objetivo de conscientizar a comunidade sobre a democratização do espaço acadêmico, foi pensada uma intervenção dialógica para mediar os conflitos identificados na comunidade. Dessa forma, provou-se um colóquio nos domínios da universidade, intitulado “Educação como Direito Humano: Diversidade de trajetória e igualdade de acesso ao ensino superior”. Na mesa, estavam presentes representantes da Instituição, como o Pró-reitor de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis e a Pró-reitora de Graduação, bem como ativistas dos direitos de pessoas egressas e em privação de liberdade, como Dandara Zanaibo Dias e Samuel Lourenço Filho.
Nesse sentido, o presente resumo, possui como objetivo compartilhar e analisar a experiência do colóquio realizado na UFOB como instrumento de sensibilização da comunidade acadêmica para o acolhimento e permanência de pessoas vinculadas ao sistema prisional no Ensino Superior.

DESCRIÇÃO DO RELATO:
O evento foi realizado no dia 20 de outubro de 2025, das 14:00 às 17:00, no auditório I do prédio um da UFOB, campus Reitor Edgar Santos, localizado na cidade de Barreiras/BA, no formato híbrido, sendo transmitido pelo YouTube. Dandara Zanaibo e Samuel Lourenço, por terem residência no estado do Rio de Janeiro, participaram de forma online, enquanto os demais palestrantes compareceram de forma presencial. O colóquio contou com cerca de 25 ouvintes online, e 81 pessoas presentes no auditório. O público foi diverso, dentre eles estudantes de graduação (dos cursos de Administração, Farmácia, Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, e Direito), pós-graduação, docentes, servidores e estudantes egressos da UFOB.
Os objetivos do evento foram: discutir o direito fundamental à educação, previsto na Constituição; valorizar a universidade como espaço de integração social e de cidadania; promover diálogos desestigmatizadores conscientizando a comunidade sobre a importância da não discriminação. Para alcançar a comunidade acadêmica foi realizada divulgação em redes sociais, como Instagram, grupos de WhatsApp e e-mails, com informações sobre os objetivos do evento, os convidados, data e local.
Os participantes interagiram mediante perguntas enviadas pelo formulário de inscrição e em interação direta com os palestrantes. Os questionamentos basearam-se em torno da preocupação com a formação docente (ex: “Quais são os desafios práticos (pedagógicos) para efetivar essa política de forma eficaz?”), bem como as barreiras para permanência (ex: “Como garantir, para a pessoa em cumprimento de pena, o cumprimento da carga horária obrigatória de extensão e atividades extracurriculares?”). O público também se interessou pelo aspecto normativo da política, questionando os requisitos da política, e pelo impacto social da mesma (ex: “De que forma a inserção desses estudantes pode reverberar na comunidade externa e na sociedade em geral?”). A equipe organizadora, pelo tempo limitado do evento, selecionou alguns questionamentos para os palestrantes responderem, a partir de critérios como pertinência temática e objetividade.

ANÁLISE DOS RESULTADOS:
Os palestrantes refletiram sobre o princípio da igualdade, previsto no art. 5° da CF/88, não ser suficiente para garantir o acesso à educação. Discutiu-se, a partir dessa reflexão, a necessidade de equidade, sendo um dos pilares para a criação dessa política de ação afirmativa. As universidades interiorizadas, como a UFOB, devem cumprir uma das finalidades para qual foi proposta, qual seja garantir acesso à educação pública de qualidade, direito previsto constitucionalmente, para aqueles em situação de vulnerabilidade social.
Ao pensar sobre os desafios de ingresso e permanência, a Pró-Reitora de Graduação, Adma Lacerda, aponta como principais obstáculos: o acesso à informação sobre as vagas supranumerárias ao seu público-alvo; impasses com o poder judiciário acerca da frequência dos estudantes; preconceito e discriminação por parte da comunidade acadêmica; horários incompatíveis de aula com a rotina das pessoas em privação/restrição de liberdade; dificuldade de acesso a equipamentos eletrônicos. Acerca das barreiras de adaptação encontradas, os palestrantes discutiram a criação de medidas para acolhimento, com o fim de compreender peculiaridades (desafios diários).
Nessa perspectiva, apenas uma mudança estrutural na comunidade seria eficiente no combate à estigmatização e, consequentemente, no pleno acolhimento dessa minoria. É necessário que a universidade passe a pensar seus processos de ensino, pesquisa e extensão pedagógica e institucional de forma diferente. Com novos ramos de pesquisa, a transformação social surge, com isso, a instituição se transforma e novos personagens podem surgir.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Como graduandas em Direito e integrantes do Programa "Leituras no Cárcere", vivenciar este processo nos permitiu enxergar o Direito para além dos códigos. A transição de uma atmosfera inicialmente hostil para um auditório atento e questionador reforçou a percepção de que a extensão universitária é ferramenta eficaz para a construção de uma comunidade universitária mais inclusiva. Por meio dela, houve diálogo transparente, viabilizando a compreensão e aproximação com a comunidade acadêmica.
A conversa permitiu um confronto ético entre o preconceito abstrato e a realidade concreta das trajetórias de vida apresentadas, sendo, portanto, espaço de abertura e debate, promovendo reflexões. A extensão, diante do caso, mediou conflitos e reconstruiu percepções sociais. Acredita-se que para a permanência desses estudantes, deve haver uma academia que se disponha a reformular seus próprios paradigmas.

País Brasil
Correo electrónico kaylanny.p7113@ufob.edu.br
Modalidad de inscripción de la ponencia Taller de sistematización de experiencias

Autores

Sra. Andrea Santana Leone de Souza (Universidade Federal da Bahia) Sra. Anna Clara Almeida (Universidade Federal do Oeste da Bahia) Kaylanny Porto (Universidade Federal do Oeste da Bahia - UFOB) Sra. Liliane Reis Marcon (Universidade Federal do Oeste da Bahia - UFOB)

Materiales de la presentación

Todavía no hay materiales.